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 “O fragmento é, pela sua natureza, um ponto onde se inicia: um fragmento nunca termina, mas é raro um fragmento não começar algo. Poderemos dizer que o fragmento é uma máquina de produzir inícios, uma máquina da linguagem, das formas de utilizar linguagem, que produz começos – pois tal é a sua natureza."

Gonçalo M. Tavares

 
Partir da matéria escura, chegar ao númeno e ao imaterial e pensar «somos feitos de contradições» e assim criar o movimento de ir por outro caminho, o fenómeno de aprender a ser, ou poderia dizer, do (in)visível tornado dizível. Foi este o trajeto de alinhamento de palavras, de frases, de imagens e de sentidos, com o qual redigi este breve texto de apresentação de mais uma exposição de Livros de Artista e a partir do qual convidei vários artistas, mas sobretudo, porque é de arte e de livros que podem ser, e são, mais do que a leitura de passagens paisagens da escrita - assim este texto não deixará apenas de ser uma mera reflexão, movimento poético, talvez, ensimesmado em si mesmo, mas em simultâneo aberto ao outro, pleno de divagações solitárias, como quando seguramos um livro, por momentos só nosso, nas nossas mãos, e que contudo sabemos vir de um outro, esperando que o encontro se dê, que os fragmentos se transfigurem num todo, reconfigurado em novos fragmentos.
 
Poderia ainda dizer que tudo verdadeiramente começou com a palavra tesouro, com a vontade de falar do real e da desocultação do mesmo transformado numa outra coisa, essa alquimia do valor, do apreço, do afeto, dado à coisa em si, tornando-a uma outra coisa, o confronto com as conotações economicistas e desumanas contudo levaram essa palavra a outras. E neste burilar, reunidas as condições de um pensamento elaborado por fragmentos, reuni este corpo temático.
 
Onde cabe a energia/força do que há-de vir – à transformação! O Livro passa-nos pelo corpo, atravessa-se de matéria, até ser substância síntese do real absoluto, conceito, voltando ao toque, à pele, à perceção de novos sentidos, como um acidente estésico ele ali está, inesperado, alterado, expandido, ampliado…
 
Livros de fragmentos, de textos feitos de textos, de pedaços de vida pensada, de excertos de corpos e de teorias, livros cartográficos, onde o rumo, eu diria plural, são momentos de pausa, de iluminação sobre as distâncias e as proximidades, livros que não sei o que serão, onde param mas vêm ao nosso encontro e/ou que nos aguardam. Será assim que vamos descobrir os objectos imaginados livros desta exposição, os livros retalhos, os livros que não são livros, os livros páginas, desenhos, fotografias, os únicos, os reproduzidos, os livros dos artistas, os livros de artista… os que se repetem, os irrepetíveis, os conhecidos, os desconhecidos, os que reconheceremos.
 
“Talvez o Livro de Artista seja um estado de espírito. Apesar da falta de eficácia aparente, eles fazem parte de uma corrente primordial e significativa no mundo da arte”. LYONS, Joan (1985)

Cristina de OAlves, 2016 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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